DIZEM QUE SOU ESTRANHO…

por Edu Lopes

Quando digo que prefiro a quietude do jardim e do deserto ao ruído dos templos, dizem que sou estranho. Mas “… de madrugada, ainda bem escuro, Jesus levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto; e ali começou a orar” (Marcos 1:35)

Quando digo que prefiro a oração da tranquilidade do meu quarto ao movimento frenético das conferências, dizem que sou estranho. Mas Jesus disse: “… quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” Mateus 6:6).

Quando digo que prefiro a solitude do tempo a sós com Deus e a experiência relacional dos pequenos grupos às mega-igrejas, dizem que eu sou estranho. Mas Jesus “tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho” (Mateus 14:23).

Acho que vou preferir ser considerado estranho pelos homens a ter que ouvir no final de tudo: “Não te conheço, nem sei de onde você é” (Lucas 13:25).

E você?

O PRINCÍPIO DA ADORAÇÃO NA CULTURA DO REINO.

No novo nascimento (regeneração) acontece uma mudança de reino. É recebida uma nova cidadania, e, portanto, uma nova cultura se estabelece. Assim como aquele que imigrou para outra nação e tem que aprender a cultura, o idioma, os hábitos alimentares e tantas outras coisas acerca daquele país, aqueles que pela fé tornam-se cidadãos no reino de Deus também precisam conhecer e viver a cultura, os princípios e valores do Reino de Deus.

 “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1.12-15).

No mundo natural, “cultura” são os padrões de conduta que governam a vida numa sociedade. Segundo Edward B. Tylor, cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Como cristãos também precisamos conhecer os princípios básicos que regem a cultura do Reino de Deus.

“E eu vos destino o reino, como meu Pai me destinou” (Lucas 22.29).

Jesus usou grande parte do seu ministério ensinando acerca do Reino dos Céus. E um dos princípios do Reino é a “adoração”. Mas, infelizmente, para muitos cristãos, a adoração é apenas um ritual ou algum tipo de canção ou estilo musical.

O princípio básico da adoração é apresentado nas Escrituras com diversos significados, tais como: rendição, contemplação, serviço, reverencia, etc. Mas em Mateus 6.1-18, Jesus usa três atitudes básicas que determinam a adoração na Cultura do Reino. Essas atitudes devem ser partes de um estilo de vida e não de um ritual religioso.

DAR – UMA ATITUDE NA ADORAÇÃO QUE NOS FAZ OLHAR PARA FORA.

“Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial. Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará” (Mateus 6.1-4).

Note que Jesus não começa esse ensinamento falando de canções, orações, rituais e outras práticas da vida religiosa. Ele chama-nos a olhar para aqueles que passam por necessidades básicas e numa atitude simples e despretensiosa estendê-los a mão. Numa verdadeira atmosfera de adoração, sempre somos impulsionados a olhar para fora. O profeta Isaías teve esta experiência quando ouviu a voz do Senhor, conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?”  Em meio aquele ambiente de glória e adoração ele respondeu: “Eis-me aqui. Envia-me!”(Isaías 6.8).

Na Cultura do Reino somos movidos a olhar para o mundo com compaixão. Essa atitude é parte do caráter relevante da Igreja de Jesus.

Na carta de Tiago somos desafiados a desenvolver uma espiritualidade altruísta e não egoísta, não se deixar vencer pelos padrões mundanos. E a isso ele chama de religião que o Pai aceita como verdadeira. “A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tiago 1.27).

ORAR – UMA ATITUDE NA ADORAÇÃO QUE NOS FAZ OLHAR PARA CIMA

“E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’. Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.” (Mateus 6.5-15).

Nesta oração modelo Jesus deu os temas e instruiu seus discípulos dizendo: “Vocês, orem assim”. É como se Ele tivesse dito: “orem ao longo destas linhas”. Com isso, Jesus não estava dizendo aos seus seguidores que repetissem a oração palavra por palavra, mas sim para orarem tendo em mente o modelo que Ele deixou.

Outro ponto importante é que Sua oração começou com o adjetivo possessivo plural “nosso”. Ao seguirmos lendo, vamos percebendo as declarações como “dá-nos”, “Perdoa as nossas”, e “livra-nos”. Com isso somos levados a compreender que oração não deve ser fruto de um coração egoísta.

Analisando a oração que Jesus ensinou:

“Pai nosso que estás nos céus” – Ao oramos assim, estamos reconhecendo nossa filiação e proximidade com o Pai através da obra redentora de Cristo.

“Santificado seja o teu Nome”. Nossa adoção espiritual nos dá o direito de chamar Deus de “Pai” e de nos identificarmos com seu nome, tornando-nos participantes de Sua herança.

 “Venha o Teu Reino” – Isso significa: majestade, soberania, domínio, ou a atividade governante de Deus. É a expressão da natureza de Deus em ação. Reino de Deus é toda a esfera do Seu governo. Jesus disse que devemos dar maior ênfase ao Reino de Deus: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mateus 6.33). Quando oramos “Venha o Teu Reino”, estamos não apenas pedindo que Jesus volte, mas que a cultura do Reino seja estabelecida no meio onde vivemos.

“Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus” – Duas expressões gregas são usadas na Bíblia para a palavra “vontade”. Uma é “boulema”, que significa “o propósito ou plano soberano de Deus para o universo”. Também pode ser chamado de Plano-Mestre. Neste caso, o homem não pode interferir. Mas, a outra palavra é “thelema”, é significa “o desejo que o Pai tem para cada um de seus filhos”. Neste caso, o homem pode interferir. O “thelema” requer a nossa cooperação. Portanto, ao orarmos: “Seja feita a tua vontade”, estamos pedindo que o desejo do Pai se cumpra em nós e que vamos cooperar com Ele na concretização de sua vontade.

“Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia” – Quando buscamos primeiramente o Reino de Deus e nos submetemos a Sua vontade, podemos orar acerca de nossas necessidades diárias. A partir daí já não teremos atitudes egoístas, pois nossos desejos e vontades estarão totalmente rendidos ao Senhor. Observe que a expressão máxima aqui é “Dá-nos” e não “Dá-me”. Ao orar assim, reconhecemos que Deus é a fonte de todo sustento, seja espiritual ou material para todos os seus filhos.

“Perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores” – Duas coisas a aprender na cultura do Reino: “receber” e “dar” o perdão pelas ofensas pessoais e injustiças causadas nós e pelos outros. Todos nós somos devedores, primeiramente a Deus. “E afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:8-9). Quando confessamos nossos pecados ao Pai somos perdoados. Mas o perdão também deve se manifestar é as ofensas diretas e indiretas de outros. Uma “ofensa direta” ocorre quando alguém o ofende. As “ofensas indiretas” são quando alguém fere a alguém a quem estimamos e tomamos conhecimento dessa ofensa. Jesus ensinou que nós deveríamos tratar com tais “dívidas” orando, “Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Jesus tratou acerca deste princípio da seguinte maneira: “E quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial lhes perdoe os seus pecados” (Marcos 11:25).

“E não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal” – Tiago indica que Deus não tenta ao homem. “Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: Estou sendo tentado por Deus. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13). Então, quem nos tenta? O mesmo Tiago responde-nos: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tiago 1.14-15). Mas Jesus disse: “Livra-nos do Mal”. Que mal é esse? É o próprio Maligno. Quando cedemos às paixões carnais nos tornamos vulneráveis ao Maligno. Muitas vezes somos tentados em nossos sentidos naturais de ouvir, ver, sentir, tocar, e saborear.

“Porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre” – A termo “porque” indica a razão pela qual a oração tem sido feita. Ou seja, já o reino, poder, e glória pertencem a Deus, nós podemos reivindicar as provisões, promessas, e proteção desta oração. Quando nós chegamos à parte final desta oração, devemos estar de acordo com tudo o que Deus diz sobre Seu Reino. Ao concluir a oração com

“Amém”, não significa um ponto final, mas é uma expressão clara de convicção. É o mesmo que dizer: “Assim mesmo, como eu tenho orado, assim mesmo será feito”. Em Apocalipse 3.14, Cristo é apresentado da seguinte maneira: “Estas são as palavras do Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus”. Quando oramos ao Pai em nome de Jesus, e ao dizermos “Amém”, afirmamos nossa declaração de fé em Seu Nome.

JEJUAR – UMA ATITUDE NA ADORAÇÃO QUE NOS FAZ OLHAR PARA DENTRO

“Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” (Mateus 6.16-18).

O jejum não muda Deus. Muda a nós mesmos. Ao jejuarmos somos levados a fazer uma sondagem interior. É bom frisar que jejum não deve ser um ritual que nos deixa contristados e abatidos, pelo contrário, isso é até rejeitado por Jesus.

Ao lermos Isaías 58 encontramos um tipo jejum que agrada a Deus ou é divinamente aprovado. O jejum que Deus que Deus se agrada deve ser fruto de decisões interiores que acabarão sendo refletidas em ações práticas em:

  • Humilhar-se perante Ele (v. 5).
  • Soltar as ataduras da maldade (v. 6).
  • Desfazer as cargas pesadas (v. 6).
  • Libertar os oprimidos (v. 6).
  • Amar de maneira altruísta (v. 7).

Quando o nosso jejum é composto dessas atitudes, Aba, nosso Pai Celestial começa a se revelar em nós. “Aí sim, você clamará ao SENHOR, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar” (Isaías 58:9).

Ao jejuarmos como atitude de adoração dentro da Cultura do Reino, somos levados a experimentar resultados magníficos. Alguns desses resultados podem ser encontrados em Isaías 58.8-10:

“Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia. O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam. Seu povo reconstruirá as velhas ruínas e restaurará os alicerces antigos; você será chamado reparador de muros, restaurador de ruas e moradias”.

  • Iluminação (vv. 8-10).
  • Direção (v. 11).
  • Provisão (v. 11).
  • Rejuvenescimento (v. 11).
  • Restauração (v. 12).

O princípio da adoração ensinado por Jesus foi apresentado em três atitudes: “Dar”, “Orar” e “Jejuar”. Em cada uma dessas atitudes Jesus foi categórico ao dizer que não devemos praticá-las com a motivação de sermos vistos e elogiados pelos homens. Ao contrário, somos chamados a desenvolver essas atitudes no secreto da vida cristã. O que fica claro neste ensino de Jesus é que não é o ato que precisa ser visto, mas o resultado.

As pessoas ao nosso redor serão afetadas a partir do momento em que manifestarmos a cultura do reino de Deus com um caráter relevante,  sendo “Sal da terra” e “Luz do mundo”.

No Amor de Jesus,

Edu Lopes

ESPIRITUALIDADE COM CHEIRO DE SUOR.

“Só eles entrarão em meu santuário e se aproximarão da minha mesa para ministrar diante de mim e realizar o meu serviço. Quando entrarem pelas portas do pátio interno, estejam vestindo roupas de linho; não usem nenhuma veste de lã enquanto estiverem ministrando junto às portas do pátio interno ou dentro do templo. Usarão turbantes de linho na cabeça e calções de linho na cintura. Não vestirão nada que os faça transpirar” (Ezequiel 44.16-19).

Num tempo de reforma Deus levantou o profeta Ezequiel para falar sobre a postura dos sacerdotes no santuário. O próprio Deus deu com riquezas de detalhes a roupa que eles deveriam vestir. Neste texto podemos observar algumas características importantes.

Eles deveriam estar vestidos de linho

As vestes de linho fino são comparadas na Bíblia aos atos de justiça dos santos (Apocalipse 19.8).

Algumas características sobre as vestes dos sacerdotes:

  • Não poderia haver mistura – Levitico 19.19.
  • O linho puro é um tecido duro. Seu manuseio não é fácil.
  • É um tecido permeável. A água passa por ele com facilidade e isto favorece a pele e evita o acúmulo de odores. Embora seja difícil escolher a santidade e a pureza – embora pareça tão duro – é o caminho para que sejamos maleáveis e sensíveis. Isto evita que nos corrompamos. Isto nos mantém mais limpos. O corpo não acumula odores.
  • O linho tem baixo poder de resiliência – amassa com facilidade.

Não poderiam vestir lã enquanto estivessem servindo.

Deus ainda especifica que eles não poderiam vestir lã no serviço nem na porta do átrio e nem dentro do templo. Por quê? Simplesmente porque Deus não queria que o serviço deles fosse fruto do desempenho humano. Lã representa a justiça humana. O linho representa a justiça de Deus. “Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tito 3.4-7).

Tanto a mitra com os calções deveriam ser de linho.

A mitra sobre a cabeça representa a autoridade e os calções representam o caráter. A mitra é vista pelos homens, o calção fica escondido por baixo da roupa. O que Deus quer nos ensinar é que precisamos ser coerentes entre o que é visível e o que não é. As pessoas só vêem o que está externo. Ele não conhece o que somos de fato. Às vezes falamos uma coisa e somos outra. A autopromoção é incoerente com a verdadeira santidade. A verdadeira santidade é um equilíbrio entre a teoria e a prática.

É possível sermos corretos em nossa teologia, aceitos como santidade, mas permanecermos obstinados. Três pontos são fundamentais na vida de um discípulo de Jesus: SUBMISSÃO, QUEBRANTAMENTO E ABNEGAÇÃO.

Toda santidade é fruto de processos ou desdobramentos. Ou seja, Deus ainda não terminou conosco. A vida é como uma escola na qual uma lição aprendida prepara-nos para a seguinte, mas só para a seguinte. Foi exatamente isso que Deus disse a Tribo de Aser: “A tua força será como os teus dias” (Deuteronômio 33.25). À medida que a carga aumentasse mais força seria concedida.

Eles deveriam ter o cuidado de se vestirem com algo que os forçasse a transpirar durante o serviço.

As roupas eram amarradas ao corpo naquela época. Um tipo de cinto era usado. Deus não entra em detalhes com respeito ao cinto. Ele apenas destaca que não era para cingir de forma a produzir suor.

Uma das expressões mais lindas do Salmo 23 é esta: “Ele me faz repousar…”

O suor é um mecanismo usado pelo corpo para liberar as impurezas que estão na pele. Não podemos usar o serviço cristão a fim de esconder nossas impurezas. O suor nas partes íntimas – Impurezas onde ninguém vê. São as falhas de caráter. Existem áreas não tratadas em nossas vidas, que preferimos esconder atrás de uma capa de espiritualidade. Ninguém vê, mas Deus vê. O suor provoca odor. Tem muita espiritualidade com cheiro de suor. A febre que produz suor é sinal de infecção. Existe o suor do ativismo. Acaba comprometendo suas emoções e seu desempenho. (Ex. Marta e Maria – Lucas 10.38-42). Ser Marta é preciso, ser Maria é imprescindível. Existe az transpiração da euforia. A transpiração tem tomado o lugar da inspiração. O suor também provoca desidratação. O suor excessivo é extremamente perigoso. O suor excessivo resseca a pele.

O alerta de Deus para os sacerdotes é que eles não poderiam cingir-se ao ponto de provocar suor. O Senhor diz em Isaías 57.10: “Na multidão dos teus caminhos te cansaste, mas não disseste: Não há remédio; achaste novo vigor em tua mão, portanto, não te desanimaste”.

O apostolo Paulo ao escrever ao seu filho na fé Timóteo, ele disse as seguintes palavras: “Fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (II Timóteo 2.1). O evangelho é para os cansados e não para os ativistas.Há muito mais de poderes latentes da alma do que poder da graça operando em nossas vidas.

O ativismo religioso não nos permite parar para beber a água da vida e refrescar-nos na ducha da Graça. Por causa disso, muitos estão sendo privados dos mananciais de águas vivas e perde a hidratação para a pele já cansada e seca de tanto suar. Existe um limite de água que a pele pode perder. Depois disto ela se torna tão seca que se fere com muita facilidade.

Muitos cristãos estão desidratados. E os poros secos se obstruem como forma de defesa o que envelhece a pele. Nada sai, nada entra. Estão fechados em si mesmos. Estão enrugados. Não são mais flexíveis. De tanto estar secos, de tanto perder água e não repor envelheceu antes do tempo, perderam a elasticidade. Não interagem. Não se comunicam.

A vida cristã não começa com atividade, ela começa com descanso. Assim como o primeiro dia de Adão foi no Sábado, nós também fomos regenerados e assentados nos lugares celestiais em Cristo. Só depois é que começa a caminhada. Qualquer espiritualidade que não descansa na obra perfeita de Cristo é mera religiosidade, portanto, esforço e transpiração da carne. “Diz o Soberano Senhor, o Santo de Israel: “No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas vocês não quiseram” (Isaías 30.15).

As últimas palavras de Jesus na cruz foram: “Está consumado!” No grego: “Tetelestai” significa “uma obra acabada”, “tarefa cumprida”, “objetivo alcançado”. Tudo o que vai além da obra completa de Cristo é heresia. Tudo o que fica aquém da obra redentora de Cristo é negligência.

No Amor de Jesus,

Edu Lopes

UM CHAMADO ÀS LÁGRIMAS

“Agora, porém, declara o Senhor, voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto” (Joel 2.12).


Não existe avivamento sem quebrantamento e lágrimas.  O Apóstolo Paulo disse aos Coríntios que a “tristeza segundo Deus produz arrependimento” (II Coríntios 7.10). Sendo assim, devemos compreender que as lágrimas na vida de um verdadeiro discípulo de Jesus devem ser como uma oração líquida.

Infelizmente, no cristianismo moderno dá-se mais valor a transpiração do que a inspiração. Valoriza-se muito mais o agito da multidão do que o lugar reservado onde se pode ficar a sós com Deus.

Para onde foram as lágrimas de nossas assembleias?

Ao lermos a carta de Paulo aos Romanos, no capítulo 8, encontramos três tipos de gemidos:

  • Gemido da Criação“Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto” (v. 22).
  • Nosso gemido“E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo” (v. 23).
  • O Gemido do Espírito“Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (v. 26).

Joel profetizou numa época de grande devastação. Uma enorme praga de gafanhotos havia despido a zona rural de toda a vegetação, destruiu até as pastagens tanto das ovelhas como do gado, até mesmo tirou a casca das árvores de figo. A fome e a seca se apoderaram de toda a terra. Tanto o povo como os animais estavam morrendo. Ela foi tão profunda e desastrosa, que Joel viu uma explicação: era o julgamento de Deus.

Dentro deste contexto a um chamado ao lamento. Quem são os chamados a chorar diante do Senhor?

“Acordem, bêbados, e chorem! Lamentem todos vocês, bebedores de vinho; gritem por causa do vinho novo, pois ele foi tirado dos seus lábios.” (Joel 1.5).

O primeiro grupo chamado às lágrimas são os ébrios. Eles representam aqueles que fazem do prazer um fim em si mesmo. Os cristãos modernos acabaram sendo seduzidos pelo espírito do hedonismo. Hedonismo é a filosofia do prazer. O tema central das pregações evangélicas nos dias de hoje são focadas na felicidade e no bem estar do homem. Não que desejar ser feliz seja pecaminoso, o problema está no egocentrismo. Embora não se use descaradamente o termo “hedonismo” nas igrejas, ele vem sutilmente embutido em termos mais familiares dos círculos evangélicos, como “benção”, “vitória” e “prosperidade”.

“Pranteiem como uma virgem em vestes de luto que lamenta pelo noivo da sua mocidade” (Joel 1

O segundo grupo chamado às lágrimas é o daqueles que perderam a afeição do primeiro amor. As palavras do Senhor através do Profeta Jeremias servem para nos alertar acerca da frieza da nossa afeição por Sua presença. “Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém estas palavras – oráculo do Senhor: Lembro-me de tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado, no tempo em que me seguias ao deserto, à terra sem sementeiras” (Jeremias 2.2).

Na carta à Igreja de Éfeso escrita em Apocalipse 2.4, 5, encontramos algumas orientações para aqueles que perderam a afeição por Jesus:

•          O primeiro amor havia sido abandonado.

•          Havia uma queda que precisava ser recordada.

•          Uma atitude de arrependimento precisava ser tomada.

•          O retorno às primeiras obras precisava acontecer.

“Desesperem-se, agricultores, chorem, produtores de vinho; fiquem aflitos pelo trigo e pela cevada, porque a colheita foi destruída. A vinha está seca, e a figueira murchou; a romãzeira, a palmeira e a macieira, todas as árvores do campo secaram. Secou-se, mais ainda, a alegria dos homens” (Joel 1.11, 12).

O terceiro grupo chamado às lágrimas são aqueles que confiam na força do braço, visando apenas conquistar mais e mais no campo material. Em nossos dias as pessoas correm de um lado para o outro em busca de melhoria de vida, fazendo do “ter” a razão maior de suas vidas. Na profecia de Joel os homens não perderam somente as colheitas, mas também a alegria. “A riqueza dos ricos é a sua cidade fortificada, eles a imaginam como um muro que é impossível escalar. Antes da sua queda o coração do homem se envaidece, mas a humildade antecede a honra.” (Provérbios 18.11, 12).

“Ponham vestes de luto, ó sacerdotes, e pranteiem; chorem alto, vocês que ministram perante o altar. Venham, passem a noite vestidos de luto, vocês que ministram perante o meu Deus; pois as ofertas de cereal e as ofertas derramadas foram suprimidas do templo do seu Deus. Decretem um jejum santo; convoquem uma assembleia sagrada. Reúnam as autoridades e todos os habitantes do país no templo do Senhor, do seu Deus, e clamem ao Senhor” (Joel 1.13, 14).

O quarto grupo chamado às lágrimas são os que ministram diante do Senhor. Eles devem ter atitudes de quebrantamento, afim de que o povo possa voltar a Deus em quebrantamento. Essa atitude deve vir misturada com oração intercessória. “Que os sacerdotes, que ministram perante o Senhor, chorem entre o pórtico do templo e o altar, orando: Poupa o teu povo, Senhor. Não faças da tua herança motivo de zombaria e de piada entre as nações. Porque se haveria de dizer entre os povos: ‘Onde está o Deus deles?” (Joel 2.17).

Temos que pedir que o Senhor nos levante como Jeremias. “Ah, se a minha cabeça fosse uma fonte de água e os meus olhos um manancial de lágrimas! Eu choraria noite e dia pelos mortos do meu povo” (Jeremias 9.1). Jeremias ficou conhecido como o profeta das lágrimas e da solidão.

Fui tocado por uma expressão usada em Gálatas 4.6: “E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, o qual clama: Aba Pai”. O verbo usado para “clamar” é κράζω(krasó),que significa “um clamor emocional impetuoso”; “gritar em alta voz”. É o gemido do nosso interior, chamando a atenção do Pai.

Se estivermos buscando um avivamento, devemos então começar pelo arrependimento e o quebrantamento. Todo e qualquer mover que começa com euforia acaba em lágrimas. Agora o genuíno mover, embora começa com quebrantamento sempre resulta em regozijo e colheita.

Voltemos às lágrimas! Voltemos ao Senhor!

No Amor de Jesus,

Edu Lopes

QUANDO A VIRTUDE SE TRANSFORMA EM DEFEITO…

A vida humana é ao mesmo tempo interessante e intrigante. O que para alguns pode ser uma grande qualidade, para outros pode ser um grande defeito. As virtudes sempre devem vir acompanhadas de outras virtudes, porque sozinhas, elas acabam tornando-se ferramentas perigosas e traiçoeiras na vida daqueles que não são coerentes consigo mesmos.

As vezes as nossas virtudes transformam-se em deformidades de caráter, e ao invés de produzirem frutos de justiça, acabam nos deixando amargos e indiferentes a tudo e a todos. E o mais interessante, é que essas falhas de caráter podem estar muitas vezes encobertas por aparentes qualidades ou virtudes. Nossas qualidades podem ser nossos maiores defeitos, e, por falta de sensatez, tomamos coisas boas e invadimos os limites do nosso próximo, sem o mínimo de cuidado e compaixão.

E o pior de tudo isso, é que nem nos sentimos culpados, por defraudarmos alguém, por acharmos que o que estamos fazendo, está dentro dos limites das nossas virtudes.

Algumas pessoas, em nome de sinceridade machucam o coração alheio e simplesmente dizem:“Eu falo o que penso, pois eu sou sincero!” Mas, essa sinceridade quando vem sem a companhia da compaixão, da tolerância, da graça e da humildade, produz efeitos nocivos. Alguém já disse: “Quem fala o que quer, ouve o que não quer!”

Outros, sem pensar, falam demais e se escondem por detrás de uma capa de falsa comunicação, dizendo: “Eu sou uma pessoa muito comunicativa!” O sábio Salomão já dizia: “Até um tolo pode passar por sábio e inteligente se ficar calado” (Provérbios 17.28).

Há ainda aquele que para não passar por fofoqueiro diz: “Eu não sou mexeriqueiro, apenas compartilhei com fulano…” Quando vamos compartilhar algo com alguém precisamos ter em mente alguns princípios: O que eu vou falar é verdadeiro e digno de reconhecimento? O que eu vou falar vai edificar o meu próximo? O que eu vou falar, poderá ser passado adiante sem problemas?

Não podemos nos esquecer do crítico, que em nome de crítica construtiva, expõe seu julgamento de forma cruel, e sem o mínimo de piedade censura o seu semelhante, não dando-lhe o direito gracioso de poder discordar.

Em nome de uma suposta verdade, poderosos fazem guerras, destroem nações, matam famílias, deixando órfãos tantos pequeninos; e usando a bandeira da paz, violentam a esperança de muitos.

Enfim, as virtudes são boas em si mesmas, e é o nosso dever desenvolvê-las em nosso caráter com toda a diligência. Entretanto, se as motivações do coração são impuras, as virtudes serão sufocadas por verdadeiros vícios ou imperfeições da natureza humana.

Edu Lopes