LIDERANÇA NA IGREJA: POSIÇÃO OU SERVIÇO?

Muito dos padrões de liderança usados pelas denominações cristãs na atualidade, não se parecem muito com o modelo de liderança estabelecido na igreja primitiva. O que é muito claro no Novo testamento é que o princípio de autoridade na Igreja não se baseia na hierarquia, mas na influência pelo testemunho. Ou seja, se alguém segue os passos de Jesus, acabava influenciando a outros a fazerem o mesmo.

Paulo, o apóstolo chegou a dizer: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo”  (I Coríntios 11.1). E também: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam” (Filipenses 3.17) (Grifo meu).

É bem verdade que “O Senhor” estabelceu alguns com dons de ministério na igreja, mas o fez para que sirvam de modelo e não para se apresentarem como detentores de um cargo de chefia num governo hierárquico. Toda tentativa de se estabelecer uma liderança centralizadora na igreja fere aquilo que Jesus ensinou aos seus discípulos:

“Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo” (Mateus 20:25-27).

“E houve também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve” (Lucas 22:24-27).

Nestes dois textos aprendemos que:

  • A liderança hierarquia deriva-se de uma mentalidade posicional (“maior” e “menor”), por isso, é estabelecido sob uma cadeia de comando. Entretanto, na Igreja a liderança deve fluir do amor e do serviço voluntário.
  • Por ser posicional, o padrão mundano de liderança dá muita ênfase na posição e no ranking. Já na Igreja de Cristo a autoridade flui de um caráter piedoso. Jesus disse: “… todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal”. Para Jesus o “Ser”  é a parte essencial de todo ministério cristão.
  • A liderança hierárquica estimula o espírito megalomaníaco no coração dos homens. Até porque o resultado é medido pela proeminência das coisas. Quanto mais nababesco melhor. Já no reino de Deus, a noção do que é ser grande passa a ter outra conotação. A grandeza é medida pela humildade (Atitude – interna) e pelo serviço (Ação – externa).
  • Na liderança hierárquica os líderes se valem de suas posições para ostentarem títulos e exercerem domínio sobre os demais. Na Igreja de Cristo devemos seguir aquilo que Pedro, o apóstolo disse: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória” (1 Pedro 5:2-4). A Igreja só tem um “Supremo Pastor”. Nós apenas cooperamos com ela na edificação dos santos.

Jesus deixou bem claro que estas estruturas mundanas de liderança nada tem a ver com a Igreja. Ele foi explicito ao dizer “… não será assim entre vocês”.

Em suma, podemos perceber que o ensino do Novo Testamento sobre liderança baseia-se no poder de influência pelo testemunho e não pelo domínio.

Lembre-se que nos primórdios a Igreja teve que enfrentar um grupo herético “Os Nicolaítas”. Possivelmente eles seguiam os ensinos de um certo “Nicolau”. No grego esse termo vem de duas expressões:

  • “nikh” = vitória (no sentido de dominar) + “laos” = …o povo comum.
  • O nome Nikolaitwn (nicolaítas) composto destas duas palavras tem o sentido de “vitória sobre o povo” ou “os que dominam o povo”. Ao lermos Apocalipse 2.6, 15, podemos perceber que o Senhor diz que “odeia” as obras dos nicolaítas. Por que será? A doutrina nicolaíta concebia a idéia de uma casta superior na igreja, levando-a a uma separação entre cleros e leigos.

Desde os primórdios o homem é seduzido pelo poder (exercer domínio sobre outros), pelo sucesso (notoriedade e reconhecimento) e pela cobiça (desejo desenfreado de ter).

É bem verdade que somos orientados pela Palavra de Deus a reconhecer aqueles que trabalham entre nós e nos presidem no Senhor. Devemos estimá-los não por seus títulos e posições, mas por causa da sua obra (I Tessalonicenses 5.12, 13).

A Igreja só tem uma cabeça, um Senhor, um dono – CRISTO! Somos apenas seus cooperadores.

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