2012, um ano cheio de especulações, expectativas, previsões e profecias. Para os mais pessimistas, será o ano do “fim do mundo”. Para os mais otimistas, será o início de “um novo ciclo”. E por fim, para os realistas, será apenas mais um ano.
Uma diversidade de slogans aparece a cada início de ano como palavras proféticas e decretos das sumidades apostólicas e proféticas, nas diversas denominações espalhadas no Brasil e no mundo. Os termos variam de grupo para grupo. Alguns deles são bem clichês: “Ano da Vitória”; “Ano da Conquista”; “Ano da Restituição”, “Ano do Milagre”; e lista continua.
“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).
Em 2012 a ênfase está no número “12”, simbolizando assim o “Ano do Governo de Deus”, como se ele tivesse o poder mágico para transformar a nação. Mas, reflita comigo. Sendo assim, parece que Deus não reinou em 2010, 2011… E talvez não reine em 2013. Opa! Tem alguma coisa errada neste pensamento. Este slogan reflete uma tendência que sorrateiramente tem se instalado no evangelicalismo ocidental – A Teologia do Domínio ou do Reino Já!
O “Dominionismo” ensina que o evangelho da salvação é alcançado pelo estabelecimento do “Reino de Deus”, na Terra, na era atual. Aparentemente não há nada de errado nesta ideia. O problema está na sutileza – A Teologia da Substituição, onde a Igreja substitui Israel no plano de Deus, e que os cristãos conquistarão o controle do planeta antes da Segunda Vinda afim de que Cristo possa estabelecer o seu reino nesta terra. Quem acredita e ensina esta doutrina, tem três grandes pretensões:
- Pretensão politica – Estabelecer um governo cristão (USA e Guatemala já tiveram presidentes evangélicos e nada mudou). Inclusive, o Papa Bento XVI defende a criação de um governo único mundial.
- Pretensão econômica – Teologia da prosperidade (Evangelho de consumo).
- Pretensão religiosa – Movimento de crescimento de igrejas (Megalomania).
E não podemos nos esquecer de que nesta corrida do “Reino Já”, estão os novos apóstolos e profetas (e até “patriarcas”), que reivindicam para si o direito de serem os idealizadores do projeto da expansão do reino de Deus na terra. Segundo está turma, “quem não estiver debaixo do manto apostólico” não irá participar do mover do governo de Deus na terra.
Façam-me um favor! Despertem para a realidade! O que as Escrituras dizem acerca dos últimos está muito claro. Tudo está sendo preparado sim para um governo, mas o do “Anticristo”.
E a numerologia gospel?
“E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” ( 1 Coríntios 11.19).
Há um fascínio muito grande por números no arraial evangélico. E se não bastasse as especulações sobre o fim do mundo em 2012, a crentolândia também faz suas previsões – 2012 será o ano do governo de Deus.
Creio que a Bíblia apresenta sim números com um simbolismo profético, mas isso não significa que devamos usá-los como numerologia gospel. Não podemos confundir tipologia bíblica com numerologia. Cito as palavras pastor Luciano Subirá: “2011 foi um ano de governo de Deus na minha vida e 2013 também será, assim como 2012. Porque Jesus é Senhor da minha vida todos os anos”.
A espiritualidade humana em nossos dias tornou-se sincrética. Ao que parece, o relativismo bateu as portas do cristianismo e acabou encontrando abrigo em muitos arraiais ditos evangélicos. A fé plural é uma das bandeiras da falsa unidade religiosa. O fato é que a religiosidade moderna tem sido orientada para obter resultados, não levando em consideração outros critérios, como por exemplo, a fonte das coisas.
“Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos” (Jeremias 8.20).
Ano novo, vida nova! Todos nós já citamos esta frase pelo menos uma vez na vida. Ela tenta transmitir a ideia de que no ano novo tudo vai ser diferente. Aprendemos com o profeta Jeremias que o tempo não faz as coisas mudarem como num passe de mágica. Ano vai e ano vem e para muitas pessoas, aquelas mudanças tão esperadas acabam não acontecendo.
Uma atitude precisa ser tomada neste ano – ARREPENDIMENTO! Isso significa que precisamos abandonar o pecado e voltar para Deus; caso contrário os dias, semanas, meses e anos vão passar, e não vai haver mudanças reais. E no final será mais um ano de falsas expectativas e muitas frustrações.
“Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele” (Jeremias 6.16).
Voltemos ao Evangelho de Jesus, que é puro e simples!
No Amor de Jesus,
Edu Lopes